Projeto reúne depoimentos de mulheres vítimas de assédio nas ruas

Sentir medo de andar sozinha na rua depois de sofrer assédio sexual. Está aí algo que muitas mulheres compartilham Brasil afora. Foi de olho nisso que a arquiteta e urbanista Ariane Santana, de Curitiba, decidiu criar uma página chamada Rua Maria, 55. A iniciativa busca mostrar depoimentos, em vídeo ou texto, de mulheres que sofreram assédio, em diferentes cantos do país.

“A gente sempre anda com medo na rua, sempre está preocupada, olhando para os lados. E eu comecei a reparar o quão livre eu me sentia andando nas ruas quando estou fora do Brasil. É um sentimento indescritível”, comenta Ariane, ao explicar que foi desta percepção que surgiu a ideia da Rua Maria, 55. “Infelizmente, esse problema é tão ‘normal’ que a gente nem comenta com ninguém quando acontece. A gente passa por isso, sofre e passa raiva sozinha”, diz.

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Ela observa, no entanto, que falar sobre este assunto é mais do que necessário, embora quase não se discuta isso. “E, por isso, os homens acham que é drama ou exagero nosso. Que não acontece tanto assim”, salienta. É preciso, argumenta Ariane, chamar a atenção dos homens para o problema. “Nós precisamos do apoio deles nessa causa também. Mas essa construção vai ser passo a passo, aos poucos”, assinala a criadora da página.

A intenção do projeto é expor casos e mostrar que assédio nas ruas é algo que ocorre com cerca de 95% das mulheres que vivem no Brasil. Para isso, Ariane está fazendo uma pesquisa com o público que segue a Rua Maria, 55. Ela pretende entrevistar pessoalmente, em breve, mulheres de outros estados para mostrar como é a realidade que vivem em relação ao assédio em um país de dimensões continentais.

Para contribuir com a pesquisa da Rua Maria, 55, acesse o formulário neste link.

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