Cozinha Bárbara: dicas de nutrição e um projeto para mudar de vida

A jornalista Bárbara Dias Lino durante as gravações do canal Cozinha Bárbara: receitas sem lactose (Divulgação)

Quantas profissões uma pessoa pode ter ao longo da vida? Para a catarinense Bárbara Dias Lino, a resposta é simples: quantas quiser. Tudo vai depender do que se está buscando. Jornalista por formação, Bárbara já foi repórter da afiliada da Rede Globo, em Lages, e hoje se divide entre trabalhos como youtuber, profissional de Marketing Digital e estudante de Nutrição na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – curso em que foi aprovada dez anos depois ter feito vestibular pela primeira vez. É a criadora do canal Cozinha Bárbara, um espaço em que ensina receitas saudáveis e sem lactose no YouTube.

Bárbara já gostava de questões relacionadas à nutrição, tanto que chegou a fazer uma série de reportagens sobre o assunto. Mas a mudança profissional veio logo após o fechamento da TV onde atuava. Ela foi convidada a trabalhar em uma cidade mais do interior do estado e não aceitou. Voltou para São José, município ao lado de Florianópolis, decidida a fazer algo novo, de acordo com as suas atuais prioridades de vida.

“Toda essa coisa de ser repórter é legal, mas hoje eu vejo quase como uma aventura. Você vive trabalhando, não vê as pessoas da sua família, tem horários malucos. Só depois que comecei a pensar seriamente em ter minha própria família, me dei conta de que precisava de algo mais perto e com um horário que me proporcionasse esse contato”, explica.

Surgia então o Marketing Digital na carreira de Bárbara. Foi nesta área que ela encontrou uma empresa focada em tecnologia e que oferecia horários flexíveis, equipe companheira e chefes compreensíveis. Mas ainda faltava alguma coisa. “Fui buscar dentro de mim o que eu queria e percebi que teria que começar uma nova faculdade”, relata.

Foram cinco meses de estudos, sozinha em casa, até ser aprovada no vestibular da UFSC. Hoje, Bárbara diz que o maior desafio é conciliar coisas tão diferentes. No trabalho, ela escreve sobre placas eletrônicas, indústria 4.0, desenvolvimento de sistemas inteligentes. Já na faculdade, aprende sobre células, composição de tecidos, bioquímica. “Mas tem dado certo. Não perdi nenhum cliente e não rodei em nenhuma disciplina”.

O Canal

Bárbara na frente das câmeras: gravações para o canal levam em torno de cinco horas (Divulgação)

A ideia de ter um canal do You Tube sempre esteve rondando a cabeça de Bárbara. Ela uniu a paixão em gravar vídeos à vontade de ajudar outras pessoas com dicas de nutrição.

A rotina não é fácil. Cada gravação leva cerca de cinco horas, fora o trabalho de edição, testes de receita, preparação de figurino e maquiagem. O marido, que a apoia na iniciativa, é o editor das imagens.

Bárbara diz que, por enquanto, o canal não dá retorno financeiramente, mas que acredita muito no potencial do projeto. “Sabemos que tem tudo pra dar certo porque fazemos com o maior amor do mundo. Minha ideia é que quando eu me formar, daqui quatro anos, eu já seja conhecida de alguma forma pelo canal. Que as pessoas me procurem como pessoa que entende de nutrição, não só como jornalista”, comenta ela, que também planeja ter um consultório como nutricionista após a formatura.

A estudante observa que mudar de profissão e entrar na faculdade depois de tantos anos foram ações que trouxeram novas lições para ela. “Quando a gente volta pra faculdade depois de ‘velha’, tem uma visão diferente da graduação. Sabe o que vai ser importante, foca mais no objetivo final. Tem sido uma experiência maravilhosa”.

Para quem pretende mergulhar em transformações parecidas em 2018, Bárbara deixa um recado. “Tem que pensar bem se é isso mesmo que você quer. Depois que você decide e tem certeza, as coisas acontecem naturalmente. Vai ser difícil, mas a vida é feita de sonhos, não correr atrás deles é desperdiçar vida”, diz.

Ela também recomenda aproveitar a jornada que se percorrerá, sem pensar apenas no final do caminho. “Se fazer uma nova faculdade será um sacrifício, nem vá. Você não pode ficar quatro ou cinco anos sendo infeliz. Eu acho um barato estar no meio do pessoal de 18 anos e circular novamente pela universidade que estudei Jornalismo. Curto o caminho. O desfecho vem como consequência”, define.

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