Curitibana roda mais de 50 países e dá dicas para viajar sozinha

Mochila nas costas, roteiro na cabeça e disposição para desbravar outros cantos. Enfrentar o desconhecido é parte da trajetória da publicitária curitibana Carol Moreno, de 37 nos. Ela já percorreu 51 países – a maioria sozinha. A lista, que inclui de cidades da América do Sul a Oriente Médio, vem rendendo boas histórias para o blog Mochilão Trips e servindo de inspiração para outras mulheres que querem cair na estrada.

As viagens de Carol começaram em 2008, após uma separação. Na época, ela usava as férias para viajar e ficava de 20 a 30 dias fora. Houve um pouco de insegurança nas primeiras trips, recorda ela, mas o medo foi superado pela vontade de viajar. “A melhor forma de superar o medo é metendo a cara, arriscando, experimentando. Não tem treinamento para viajar sozinha, só indo mesmo”, brinca Carol, ao observar que, no início, sentia dificuldades em ficar sozinha sem se sentir solitária. “Numa viagem é muito fácil fazer amigos, e você só fica sozinha se quiser. Mas claro que tem momentos em que é só você mesma e você tem que aprender a se sentir bem só com a sua companhia”, explica.

E Carol aprendeu tanto a lidar com isso que, em 2013, pediu demissão do trabalho para viver o sonho de dar um volta ao mundo.  Ao todo, foram 22 países visitados em 404 dias.

Audacioso, o projeto demandou uma boa dose de planejamento. A mochileira economizou dinheiro durante três anos para bancar passagens, hospedagens e passeios, mesmo sem uma data para partir. “Acho que é preciso coragem pra largar o emprego, pois você nunca sabe como vai ser quando voltar, e bastante desapego das coisas, já que você passa um ano vivendo apenas com as coisas que cabem em uma mochila”, assinala.

Carol, durante mochilão: respeito pela cultural local (Arquivo Pessoal)

Ao longo dessas trips, Carol nunca se intimidou com a reputação de países que seriam mais arriscados para mulheres, como Índia, Quênia e Irã, e os incluiu em seus roteiros. “Como a Índia tem muitos casos de estupro, cansei de ouvir as pessoas me chamando de louca e me dizendo que eu ia se estuprada. Terrível ouvir isso. O que me ajudou bastante na Índia foi fazer couchsurfing, ficar hospedada na casa de moradores locais. Eles me deram várias dicas, me ensinaram bastante sobre a cultura indiana e até me ajudaram a comprar roupas locais”, conta.

Viagem pelo Quênia rendeu voluntariado em escola primária (Arquivo Pessoal)

No Quênia, a experiência também foi incrível: Carol ficou hospedada na casa de uma local, em uma comunidade de Nairóbi. Não havia água corrente nem privada – só um buraco no chão. Ela aproveitou a oportunidade para fazer voluntariado em uma escola primária, fundada por uma brasileira. “Ver as crianças, e pessoas em geral, tão felizes, apesar de viverem com tão pouco, é outra coisa impressionante”, define.

Carol e amizades feitas no Irã: país está entre os mais simpáticos (Arquivo Pessoal)

O Irã, por sua vez, está no ranking de Carol como um dos países com mais pessoas simpáticas que ela já conheceu. Foi preciso cobrir a cabeça com um lenço e evitar usar blusas ou calças justas, mas isso não foi empecilho para que a viagem fosse inesquecível. “Muita gente só ouve falar do Irã no jornal quando falam de atentados terroristas, e tem apenas essa imagem do país. Mas o Irã é incrível, quando você se acostuma, consegue aproveitar muito e descobrir coisas maravilhosas sobre os iranianos e sobre esse país tão diferente para nós”.

Cuidados

A mochileira, é claro, já enfrentou assédio fora do Brasil, em especial em Cuba e na Índia, e dá algumas dicas para quem vai se aventurar mundo afora sozinha. A primeira recomendação é se informar sobre a cultural local e tentar se adaptar ao máximo a ela. Isso inclui se vestir o mais parecido com quem vive ali, o que demonstra uma forma de respeitar os costumes e não chamar tanto a atenção.

Outra dica é evitar sair sozinha à noite. “Procuro sair com pessoas que conheci no hostel. E ao andar na rua, evito ruas com pouca gente ou mal iluminadas – é o mesmo cuidado que a gente já tem aqui no Brasil ao sair de casa, mas que quando viaja, acaba relaxando e esquecendo”, salienta Carol.

Sobre os pertences, mais uma recomendação importante. O ideal é evitar sair com passaporte, deixando-o no locker do hotel, e usar uma doleira por dentro da roupa, para guardar a maior parte do dinheiro. Dê preferência para mochilas pequenas e bolsas a tiracolo, para carregar coisas do dia a dia, já que, dessa forma, ficam mais protegidas.

No mais, reforça Carol, é abrir a cabeça, o coração e ir rumo ao desconhecido. “As experiências pelas quais você passa em uma viagem solo são incríveis, o autoconhecimento que você adquire é impressionante, e você ainda faz muitos amigos. Vale a pena experimentar”, recomenda a curitibana.

2 Comentários

  1. Sensacional!! Sou medrosa p meter a cara sózinha mas vou ler mais sobre suas experiências e afastar meus fantasminhas. Parabéns por realizar seu sonho e que siga desbravando. Deve ser como pular de pára-quedas .. depois do primeiro salto vc quer outro rsrs 🙂 bjo.

  2. Sensacional!! Sou medrosa p meter a cara sózinha mas vou ler mais sobre suas experiências e afastar meus fantasminhas. Parabéns por realizar seu sonho e que siga desbravando. Deve ser como pular de pára-quedas .. depois do primeiro salto vc quer outro rsrs 🙂 bjo.

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