Designer transforma sacolas plásticas em acessórios

Anna Boechat I do design
Designer Anna Boechat: paixão por do it yourself se tornou negócio sustentável (Foto: Divulgação)

O que você faz com as suas sacolas plásticas? Reutiliza? Manda para o lixo? A designer Anna Boechat, 36 anos, de Curitiba, transforma esses resíduos em acessórios. Desde 2019, as sacolas que chegam às mãos dela são reaproveitadas nos brincos da I Do Design, a marca da paranaense. “Sempre gostei de trabalhos manuais e vídeos de do it yourself (faça você mesmo, em português). Foi quando amigas comentaram comigo que buscavam acessórios diferentes e eu resolvi fazer testes com resina”, conta.

Mas a resina pela resina, lembra Anna, não era sustentável. Era preciso pensar em um material que pudesse ser encontrado em qualquer lugar e ser reaproveitado. “Foi aí que me dei conta de que as sacolas plásticas estavam por todo o lugar”, comenta. Além do plástico, a fabricação das peças conta com sobras de impressões hot stamping, usadas na indústria gráfica, e resina. Até mesmo o papel das tags que acompanham os brincos são sobras de papel. “As primeiras tags foram feitas com sobras de papel dos convites do meu casamento. Quando mando imprimir outros trabalhos em gráficas, sempre peço para guardarem as sobras para mim”, complementa Anna.

Par de brincos da I Do Design (Foto: Divulgação)

Produção

O processo de produção é artesanal e pode levar até cinco dias. Primeiro, a designer derrete um conjunto de sacolas de diferentes cores, o que pode incluir sacos de lixo. O resíduo vai para o forno e se converte em um plástico grosso.

Processo de produção
Plaquinhas obtidas após derretimento de sacolas (Foto: Arquivo Pessoal)

Anna retira as placas do forno, faz pressão sobre o material, aplica o resíduo metalizado da hot stamping, corta as placas de acordo com o formato desejado dos brincos, aplica resina, insere o pino da peça que segurará a tarraxa, ambos em aço inox, trabalha em mais uma camada de resina e conclui com o polimento. Às vezes, no meio desse processo, é necessário repetir a etapa do forno para garantir uma espessura de acordo com o que a designer deseja. O resultado são pares de brincos leves – a maioria das peças pesando menos de 7 gramas – e que costumam ser únicos. “O plástico se condensa e muda de cor, eu nunca sei como ficará essa mescla de cores ao final”, observa a designer.

Peças tomando forma: escolha por formas mais assimétricas (Foto: Arquivo Pessoal)

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Como Anna tem trabalhado com sobras, ela optou por criar peças em formatos pouco simétricos. A proposta caiu no gosto de quem compra da marca – 95% mulheres, a maioria com idade entre 25 e 45 anos e engajadas sobre consumo consciente. “São jovens adultos preocupados em consumir um produto com preço justo, que vai durar pela vida toda, que se aproxima da moda sustentável”, salienta Anna, que agora está trabalhando com testes envolvendo sobras de acrílico.

A designer se diz realizada com o trabalho de reaproveitamento das sacolas. “Gostaria de ajudar a resolver ainda outras questões como essa”, define.

Os acessórios produzidos por Anna podem ser encontrados em lojas de Curitiba e diretamente com a designer, pelo instagram da marca, @idodsgn.

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