Estudante faz financiamento coletivo para viver transição de gênero

Lucia Guerra
Lúcia Guerra: campanha tem como meta arrecadação de R$ 7 mil (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde criança, a estudante de Pedagogia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisadora em Arte e Educação Lúcia Guerra, mulher trans de 24 anos, não se via como menino. “Brincava com as roupas e sapatos da minha mãe e irmã, mas sentia culpa por aquilo. Tive uma criação muito religiosa”, conta ela, ao observar que o desconforto com o próprio corpo não cessou com o passar dos anos. Pelo contrário: já adulta, a jovem conheceu pessoas com histórias semelhantes e se deu conta de que viver com uma identidade de gênero que não era a sua não era justo com ela mesma.

Em outubro do ano passado, Lúcia decidiu, então, iniciar o processo de transição de gênero. Mas, por causa da pandemia, não conseguiu atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela já havia adiado a decisão outras vezes, devido à insegurança em empregos anteriores, e, dessa vez, resolveu não esperar mais. “Percebi que não podia deixar de passar por esse processo”, sustenta.

Usou economias que tinha para fazer consultas médicas e exames, iniciou o tratamento hormonal e tem feito acompanhamento endócrino e psicoterápico. Agora, para dar continuidade ao processo, está trabalhando numa campanha de financiamento coletivo. A iniciativa busca arrecadar R$ 7 mil para que a estudante possa passar pela transição até obter tratamento gratuito. “Pensei na campanha como uma forma de manter esse acompanhamento na rede privada por um ano ou um ano e meio, até acessar o SUS”, comenta.

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Na modalidade tudo ou nada, a vaquinha tem tido boa repercussão. Na primeira semana, foram arrecadados R$ 2,4 mil. As doações partem de R$ 15 e podem ser feitas até 15 de março. Para cada contribuição, há uma forma de agradecimento diferente. As recompensas fazem parte do trabalho de Lúcia com arte – colagens e bordados em fotografia e tecidos. A estudante espera que o apoio financeiro recebido a ajude a custear as despesas médicas e, também, custas cartorárias, para retificação de documentos pessoais.

Doações podem ser feitas até dia 15 de março (Foto: Reprodução)

“Venho de uma realidade em que não estamos acostumadas a ser ouvidas. Agora, estou me surpreendendo muito com as pessoas. Isso está me trazendo mais do que o ganho financeiro, mas ganho de vida também. Estou me conectando com muitas pessoas”, assinala Lúcia.

É possível acompanhar a campanha da jovem, para contribuições ou ajudar na divulgação, neste link. As recompensas estão todas descritas na plataforma. O trabalho de Lúcia pode ser visto em seu perfil no Instagram, o @eusouagerra.

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