Rede apoia ingresso de mulheres no mundo das criptomoedas

Participantes da rede Mulheres falam sobre Bitcoin em encontro em São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)

Mulheres que lidam criptomoedas, moedas digitais como o bitcoin, ainda representam menos de 10% dos investidores na indústria do blockchain, um mercado bilionário. Mas acredite: se depender das que já estão desbravando essa área, como Rafaela Romano, mestranda em Antropologia na Universidade de São Paulo (USP), esta disparidade de gênero deve ser superada mais cedo do que se imagina.

Rafaela mergulhou no ecossistema a partir de uma disciplina que abordava o mercado financeiro, Antropologia Econômica, e viu de perto o monopólio masculino quando o assunto são criptomoedas. Decidiu compartilhar os conhecimentos aprendidos e criar a iniciativa “Mulheres falam sobre Bitcoin”. A ideia é apoiar e fortalecer a presença feminina na área através de encontros e participação em eventos.

Rafaela Romano (no centro, de pé) começou a organizar encontros sobre tecnologias disruptivas com as participantes da rede (Foto: Arquivo Pessoal)

Pesquisa

“Fui me aproximando cada vez mais da tecnologia e do mercado financeiro. Comecei a desenvolver uma pesquisa relacionada ao acesso ao conhecimento tradicional no contexto do capitalismo informacional. A partir daí, a paixão e o fascínio pela tecnologia e pelo mercado financeiro aumentaram exponencialmente. Ciborgues, inteligência artificial, internet das coisas e blockchain ganharam completamente meu coração”, relata Rafaela sobre seu ingresso no ecossistema.

Leia também: Mulheres criam “Uber da beleza” em Curitiba

E foi participando dos eventos na área que ela comprovou o que relatórios como o da Coindesk, agência especializada no setor, já apontavam: as mulheres nunca eram mais do que 10% no ambiente. As justificativas eram das mais variadas – ‘elas simplesmente não se interessam, ‘são os hormônios’ ou ‘isso não tem nenhuma relevância’. “Particularmente, eu busco não dar atenção a essas justificativas e focar em conhecer as mulheres que estão nesses ambientes e fortalecer o desenvolvimento das mulheres no ecossistema da blockchain”, assinala.

De igual para igual

Rafaela percebeu que, apesar de ainda serem poucas na área, as mulheres podem sim falar de igual para igual com homens sobre criptomoedas e blockchain. Em um dos eventos que participou, por exemplo, ela se deu conta de que já sabia tudo o que estava sendo apresentado ali. “E eu falei sem parar. Acho que fui até chata. Falei, interrompi, respondi perguntas. Acho que foi o primeiro momento em que eu me toquei que havia algo acontecendo”, pontua, ao lembrar que esse cenário se repetiu algumas vezes depois, como num processo de empoderamento.

“Eu tenho, atualmente, um convívio cotidiano com engenheiros e programadores das melhores universidades do país. E perceber que, mesmo não sendo de Exatas e não sendo homem, é possível conversar, debater e questionar sobre tecnologia, foi na verdade delicioso”, define.

A rede Mulheres Falando sobre Bitcoins também conta com grupos nas redes sociais para discutir criptomoedas (Mulheres Falam sobre Bitcoin e Cripto Mulheres – Bitcoin & Altcoin) e um blog com conteúdo voltado para área, o www.disruptivas.com.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*