Nísia Floresta: jornalista cria coletivo feminista para debater mídia e gênero

Vanessa Prateano no evento Leia Mulheres Curitiba, discutindo o livro "O conto da Aia"

Já passou pela sua cabeça transformar uma dor em força para ajudar outras pessoas? A jornalista Vanessa Fogaça Prateano, de 28 anos, fez isso após sofrer violência sexual na adolescência. Tentando entender o que havia acontecido, ela passou a fazer pesquisas sobre feminismo e a trilhar uma jornada que, entre outras coisas, vem resultando em apoio a outras mulheres. Moradora de Curitiba, Vanessa fundou o primeiro coletivo de jornalistas feministas do Paraná, o Nísia Floresta, e se tornou pesquisadora na Universidade Federal do Paraná (UFPR) na área de violência doméstica, feminicídio, estupro e aborto.

O engajamento em relação a questões envolvendo mulheres tem ganhado bagagem com a faculdade de Direito, ainda em curso na UFPR, e o estágio no Núcleo de Promoção da Igualdade de Gênero (NUPIGE), do Ministério Público do Paraná (MP-PR). Vanessa também se dedica a ministrar palestras sobre direitos das mulheres, o ativismo na área, e a representar o Nísia em eventos sobre questões de gênero. “Infelizmente, a violência perpassa a vida de muitas mulheres. É um problema pessoal e político ao mesmo tempo”, comenta ela.

Espaço para debate

O coletivo de jornalistas feministas nasceu em maio de 2015. Na época, recorda a pesquisadora, faltava um espaço para debater assuntos que envolvessem jornalismo e feminismo, como o assédio sofrido por mulheres jornalistas, a dificuldade de mulheres serem pautadas para reportagens de grandes temas – geralmente atribuídas a repórteres homens – e a busca por fontes mulheres para repercutir temas. Além de depoimentos, o grupo passou a reunir críticas e exemplos de como fazer jornalismo a partir deste viés. “Criamos o coletivo para propor assuntos nesse sentido e depois passamos a organizar eventos. O Nísia é um observatório de mídia feminista”, relata Vanessa, que também já atuou como consultora de mídia e gênero na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Conteúdos propositivos

Vanessa defende a comunicação como um direito humano da mulher e uma ferramenta necessária para a emancipação feminina. Para a jornalista, não é suficiente que os veículos de comunicação apenas abordem pautas feministas. É necessário que o conteúdo divulgado seja propositivo. “Falta aprofundamento dos jornalistas sobre as demandas das mulheres. Precisamos ir além da versão da polícia em um caso de violência doméstica. É importante ouvir pessoas que estão pesquisando o tema, que possam falar sobre causas, consequências e serviços à disposição das mulheres”, exemplifica.

A busca por um jornalismo sem machismo, na opinião de Vanessa, ainda tem muitos desafios a enfrentar. Entre eles, está a adoção de fontes majoritariamente femininas para assuntos em geral, de fontes com experiência de militância junto a questões de gênero, e a forma como as empresas de comunicação lidam com direitos das trabalhadoras em suas redações. “Ao longo do nosso trabalho no coletivo, buscamos conversar também com estudantes de jornalismo. A resistência deles é bem menor”, pontua.

O Nísia Floresta tem hoje cerca de 40 participantes e mais de 13 mil seguidores nas redes sociais. Para mais informações, acesse a página do coletivo no Facebook, a www.facebook.com/coletivonisiafloresta.

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