Jornalista cria programa para incentivar protagonismo digital entre colegas

Verônica Machado - Realize
Verônica Machado criou programa que estimula protagonismo digital entre jornalistas (Foto: Divulgação)

Você acredita que a felicidade só é real quando é compartilhada? Ao ser bem-sucedida em um projeto de mídia independente, o Vidas Contadas – Histórias incríveis de pessoas comuns, a jornalista Verônica Machado, de Sobradinho (DF), percebeu que gostaria de dividir com colegas desmotivados com a profissão o que ela havia aprendido para colocar a mão na massa. Como tirar iniciativas do papel, monetizá-las, lidar com os meios digitais? Dessa inquietação, nasceu o Realize, um programa de protagonismo digital para jornalistas. A quinta turma terá início nesta terça-feira (24).

Ao longo do curso, Verônica procura mostrar aos participantes não só o que podem fazer, mas como podem colocar novos planos em prática e de acordo com o propósito de cada um. Ela estruturou conteúdo de acordo com o caminho que os colegas precisam trilhar nesta empreitada. “O Realize tem o poder de dizer paras as pessoas o que não estão acostumadas a ouvir. É mostrar o que pode fazer, dar sugestões e principalmente mostrar como faz. É uma experiência completa”, comenta.

Comunidade

Realize - Protagonismo Digital para Jornalistas
Jornalistas participantes do programa Realize durante encontro em Brasília (Foto: Divulgação)

Os resultados da proposta têm ultrapassado os números. Além de 45 projetos dentro e fora do Brasil beneficiados pelo programa, o curso tem criado uma comunidade de jornalistas empolgados em serem protagonistas da própria história. Isso inclui desde a experimentação por novos trabalhos a sair da casa dos pais. E engana-se quem pensa que, após conquistarem autonomia, é cada um por si. “É bem afetivo, rico e poderoso. As pessoas ganham amigos de receber na cidade, tomar um café, conversar sobre alegrias e tristezas da vida. Isso ultrapassa cursos que você compra na internet. Eu vi que o poder da comunidade é muito mais forte que qualquer aula que eu possa dar, qualquer assunto que eu possa falar”, define Verônica.

Realizada pessoal e profissionalmente com o programa, ela relata que ainda está surpresa com os frutos do Realize. Como a maioria dos profissionais que se formam em Jornalismo, Verônica imaginava que iria passar a vida toda dentro de uma redação, ambiente pelo qual foi apaixonada. Trabalhar com Marketing – hoje um aliado, nem passava pela cabeça da jornalista. “Quando escolhi fazer Jornalismo, era aquela ideia utópica de melhorar o mundo com denúncias e tal. Hoje, eu sei que, com o que eu faço, eu melhoro mais o mundo. Tenho mais contato com as pessoas, consigo conversar com elas, ajudá-las a chegar a outro ponto, um ponto melhor. Vi que era melhor mudar pequenos mundos ajudando pessoas do que aquela ideia utópica de mudar o mundo com denúncias”, afirma.

Programa mostra como tirar iniciativas do papel, monetizá-las e lidar com meios digitais (Foto: Divulgação)

Mudança de mentalidade

Para Verônica, a maior dificuldade que jornalistas enfrentam hoje é estar sem direção, sem saber o que vai acontecer com a sua função num futuro breve. Os profissionais, assinala, se imaginam apenas como jornalistas e esquecem que acumulam experiências e histórias únicas bem mais amplas que as competências de um profissional de comunicação. As habilidades de cada um, portanto, vão além de saber entrevistar, escrever, editar, fotografar e fazer vídeos dentro de uma grande mídia. “Se a gente parar e começar a enxergar que temos que servir o outro com as nossas habilidades, virar para o lado e perguntar: como é que eu posso te ajudar? É uma mudança de mentalidade, você começa a enxergar oportunidades em muitas coisas”, pontua.

É nesta mudança de mentalidade que ela busca atuar para que mais comunicadores possam se tornar jornalistas 3.0. Estes profissionais, explica, entendem que ser jornalista é só uma parte de sua expertise, que podem trabalhar de qualquer lugar do mundo e que não precisam de mídias tradicionais para gerar produtos e conteúdo. É possível ainda ter múltiplas fontes de renda, evitando, com isso, se tornar escravo de uma delas.

“O jornalista 3.0 leva informações corretas para quem precisa delas de muitas formas. Usando ou não os meios digitais, mas entendendo que ele não precisa estar num escritório ou numa grade mídia. Principalmente, acredito, perguntando como pode ajudar. Quando você pergunta para o outro, resolve o problema de alguém, melhora o mundo de alguém e tem enorme chance de ganhar dinheiro com isso”, salienta Verônica.

Quer saber mais sobre o Realize? Acesse a página www.jornalista30.com.br/realize.

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