Irmãs fazem vaquinha para manter bar na pandemia

Yada Yada
Yada Yada Yada foi inaugurado há dois anos em Curitiba e está fechado desde março (Foto: Divulgação)

Um bar tocado por mulheres em Curitiba está correndo o risco de fechar de vez as portas na cidade devido à pandemia. Sem receber clientes desde o dia de 15 de março, o Yada Yada Yada, conhecido pelo ambiente descontraído com cadeiras de praia, próximo à Praça 29 de março, nas Mercês, recorreu a uma vaquinha virtual para arrecadar recursos e evitar o fim do negócio.

Alyssa Lerie de Lima Aquino, 34 anos, que toca o empreendimento com a irmã, Daphne Aquino Kondo, 44, relata que, após três meses sem atividades, a família tem tentado recuperar as vendas por delivery. No entanto, a alternativa tem se mostrado pouco efetiva para negócios pequenos e as contas chegaram a um nível insustentável para as oito pessoas que trabalham no local. “A gente sabe que não seria fácil de vender porque não temos uma cozinha equipada para fazer muita variedade de comida e é difícil competir, não trabalhamos com Ifood, Rapi, não gostamos da forma como funciona”, observa Alyssa, que no meio desse período, também perdeu o pai.

Uma referência ao seriado norte-americano Seinfeld, Yada Yada Yada é uma expressão que significa uma conversa sobre nada, um blá, blá, blá. Foi com uma proposta semelhante que o bar foi inaugurado há dois anos. Começou sem grandes pretensões, com uma pequena porta, espaço de uma garagem que foi reestruturado pelas irmãs.

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Daphne e Alyssa iniciaram o negócio vendendo meia dúzia de drinks criados por elas e foram incrementando a oferta com o crescimento da demanda. Colocaram no cardápio o pão com bolinho de carne feito pela mãe, dona Ivone Maria de Lima, 65. A refeição, os poucos, se tornou o carro chefe do bar. “Quem experimentava sempre trazia alguém para provar”, pontua Alyssa. As cadeiras de praia na calçada também se tornaram uma referência do lugar, sempre com mulheres atuando na linha de frente. “As cadeiras deram muito certo, as pessoas adoraram a ideia. Depois começamos a deixar tapetes disponíveis, nossa calçada virou uma praia de cimento em Curitiba”, relata a proprietária.

Yada
Cadeiras de praia na calçada se tornaram a marca do bar (Divulgação)

Alyssa reconhece que pedir um drink para tomar em casa não é o mesmo que beber no Yada. Por isso, fez uma enquete com os clientes, através das redes sociais, para decidir: abrir o bar ou fazer uma vaquinha para atravessar esse período de pandemia? Com a Prefeitura de Curitiba permitindo novamente a abertura de bares, elas perderam os descontos que conseguiram junto à imobiliária para o aluguel do imóvel. “Estamos no limite, ou abre ou fecha. Nós não queremos abrir, sabemos que não é o momento”, argumenta.

Durante o fechamento, as irmãs têm recorrido a outros trabalhos para obter alguma fonte de renda. Alyssa tem feito desenhos, enquanto Daphne, feito descotagem com vinil. Elas podem ser acompanhadas pelos perfis @alyssa.aquino, @samo.soma.art, @aquino.daphne e @yadayayadadacwb no Instagram.

Além do delivery, interessados em colaborar com o Yada podem fazer doações de qualquer valor neste link. Até esta quinta-feira (13), a arrecadação contava com 78 apoiadores e cerca de R$ 4 mil.

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